A Olimpíada nossa de cada dia

Alessandra Ramos

22 de julho de 2021

Blog do Grupo Bridge

Desenvolvimento humano, transformação cultural e inovação.
Compartilhe este artigo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Eu sou daquelas que AMA as Olimpíadas. Não entendo quase nada, mas torço como louca para os atletas brasileiros e, mesmo não estando escalados ou após serem desclassificados dos meus esportes favoritos, adoto outros atletas para continuar torcendo.

Acompanho a ginástica artística, rítmica, nado artístico, vôlei de praia, futebol (claro!), e mais raramente triatlo e skate. Acho linda a forma como os atletas estão lá, plenos, seguros de si, como se não tivessem sofrido, chorado, desistido em silêncio para, então, se levantarem e ultrapassarem seus limites, se reconstruindo ao longo de um processo rigoroso só para estar lá, numa vaga restrita, representando uma multidão desconhecida, para provarem a si mesmos e aos demais que são foda, que podem, que são mais.

A cada ano me pergunto a mesma coisa: “será que eu seria capaz de passar por tudo isso se tivesse uma chance?”. Eu sairia do conforto do meu lar, ficaria horas seguidas por anos a fio desenvolvendo o máximo do meu corpo, controlando minha mente, buscando um equilíbrio emocional que não tenho, adquirindo e aperfeiçoando técnicas que me levariam para além dos meus limites apenas por uma escalação e, quiçá, uma medalha?

Quantos e quantos desistem ao longo do caminho? Quantos e quantos não desistiriam, mas sequer tiveram oportunidade para provar?

Se você leu até aqui e acha que as Olimpíadas são algo distante da sua realidade, está enganado e eu vou provar. Hoje vamos fazer um paralelo multidimensional, topa? Vamos imaginar nossa vida, de profissionais corporativos em um universo A que é o espelho do universo B onde vivem os atletas olímpicos. Loucura? Não muita, se guardarmos as devidas proporções, veja só:



Desenvolvimento integrado:

Lá no Universo B já faz alguns bons anos que os técnicos e treinadores olímpicos vêm introduzindo a necessidade do equilíbrio emocional além do físico e mental para garantir o máximo desempenho de cada atleta. Psicólogos esportivos deixaram de ser exceção e passaram a ser exigência nas melhores equipes. Nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e coachs possuem ampla importância e impacto nas classificações e títulos conquistados, ou seja, eles perceberam ao longo do tempo que não só o físico, mas também o mental, emocional, e – ultimamente – o relacional, afetam consideravelmente os resultados finais desejados. Sim, esse último aspecto humano, apesar da resistência, tem ganhado cada vez mais atenção dos melhores técnicos, os quais vêm focando e priorizando um “clima descontraído” e a importância do “entrosamento” da equipe.

E podemos imaginar como esse paradigma foi sofrido para conseguir ser quebrado. Sendo o ambiente esportivo altamente competitivo, onde, inclusive, atletas competem contra os da sua própria equipe, como é possível proporcionar um ambiente verdadeiramente colaborativo?

Isso te lembra alguma coisa?

Em nosso Universo, as empresas e os líderes – quando bons em seu papel – vêm percebendo e se empenhando para proporcionar não só as condições físicas/estruturais e os conhecimentos necessários, mas também têm se preocupado com a saúde mental dos seus colaboradores e com a qualidade das relações no ambiente de trabalho. Já estão cansados de saber sobre a famosa e “batida” pesquisa de clima, como também dos indicadores de turnover, certo? Mas, repararam como eles vêm ganhando espaço e importância nos últimos tempos?

Se antes eles serviam como métrica a ser “atacada” nas pesquisas anuais e utilizados como parâmetro para tomadas de decisão que, na prática do cotidiano, ninguém sabia o que fazer com os resultados. A cada ano que passa os líderes começaram a tomar para si a responsabilidade sobre a mediação desses indicadores. Começaram a observar o quanto equipes mais unidas e integradas são mais resilientes, dedicadas e abertas às mudanças. E passaram a perceber que, ao investir nisso, conseguiam ampliar suas margens de sucesso. Ah, e aqui vai um salve para os líderes que finalmente têm percebido e discutido o tema “ambiente seguro”, mas, isso fica como conversa pra outro dia.



Individual versus coletivo:

Apesar de comentado acima, vamos destrinchar um pouco mais essa dualidade profissional. Por não ter fundamentação real para afirmar, deduzo que no Universo B os seres quase sobre-humanos que ultrapassam limites para garantir uma medalha tiveram de aprender a lidar com a competitividade de forma diferenciada, pois o apoio da equipe, o incentivo e a qualidade das relações passaram a garantir maior confiança e determinação no “ir além” de cada um. Sendo assim, como competir de forma justa com um colega de equipe? Como disputar milésimos de segundos com um concorrente de mesmo uniforme e, ainda assim, após o resultado final, continuarem se falando, se respeitando e se admirando mutuamente?

Apesar disso, é nítida ao final de cada competição a alegria partilhada e o entrosamento da equipe. Basta analisar imagens dos bastidores e as entrevistas concedidas, para perceber que os atletas que mais se destacam apresentam um discurso e um comportamento que expressam a importância do coletivo para a sua performance pessoal, a importância da sua dedicação total para a pontuação geral da equipe e, principalmente, o quanto esse equilíbrio o ajuda a seguir.

E cá estamos nós, no Universo A, ainda engatinhando em muitas áreas, sem saber como reduzir a competitividade para conseguirmos aumentar a eficiência, resiliência e implementar as mudanças necessárias para garantir o destaque no mercado que, esse sim, é extremamente competitivo e eliminatório.

Alguns líderes ainda resistem em perceber o quanto desenvolver a competência da colaboração é mais efetiva que a competição intra e interequipes. Outros, apesar de já concordarem com essa máxima, ainda não conseguem interferir na dinâmica do grupo a ponto de minimizar a competição e gerar um ambiente mais saudável e cooperativo. Porém, já viralizou no nosso universo corporativo o alto nível de melhoria dos indicadores de turnover, de clima organizacional e satisfação de clientes em que prevalece o ambiente colaborativo, além de outros benefícios colaterais como diminuição de resistência às mudanças, aumento da criatividade e inovação e melhoria de desempenho.

Uau. Se são tantos benefícios, por que ainda há tão pouco investimento nessa competência?



Alta performance:

Aqui, mais do que nos outros tópicos, quando falamos em “guardadas as devidas proporções”, convenhamos que “haja proporção aí”, rs.

Acredito eu que nunca, nunquinha, chegaremos perto de saber o que um atleta de elite passa para atingir sua máxima performance. Eles vão ao limite mental, físico, emocional e até espiritual, pois seu propósito claro e único, focado, não dá margem para mudanças, ou é seguir em frente ou desistir. Vitória ou derrota. Não há alternativas, não há desvios, não há caminho fácil.

Por mais que já tenhamos levantado as 04h00 da manhã para pegar ônibus lotado, por mais que já tenhamos vendido o vale refeição para pagar um curso ou trocado o almoço pela janta para conquistar uma posição melhor, não saberemos o que é esse abrir mão. Por mais que tenhamos que mudar de cidade, virar madrugadas estudando, manter dois empregos ou gastar os fins de semana anos a fio para dominar algum conhecimento e assim conquistar uma posição desejada, não saberemos o que é respirar um resultado milimétrico.

Será?

Se cuidarmos das “devidas proporções” compreenderemos que cada dor é única, cada “abrir mão” dói de um jeito, cada limite superado é vibrado na alma daquele que consegue da mesma forma, não?

Uns mais facilmente, outros mais dolorosamente, cada um enfrentou seus demônios internos, suas realidades externas e suas vozes interiores para garantir que alcançaria seu objetivo mais desejado. Afinal, forças externas e internas afetam igualmente a todos, tanto no universo A quanto no B. Não faço ideia das taxas de desistência, mas não são só colegas de trabalho que desistem de ir além, atletas também. Cada um sabe seu limite… Cada um, com um bom coach descobre que seu limite era muito maior do que imaginava e cada pessoa que tem um bom coach e uma equipe bacana faz coisas incríveis e se realiza como profissional e como pessoa, independente das horas, das madrugadas, dos suores, das lágrimas e do que teve que abrir mão para chegar lá.

O que queremos atingir com a nossa vida, onde queremos chegar e o que desejamos no fundo de nossa alma conquistar é único de cada um, mas – seja no Universo A ou no B – ter uma equipe que te entende e te aceita como é; ter uma estrutura que dá condições dignas de trabalho; ter respeitados os tempos de dedicação/esforço e recuperação; e, acima de tudo, ter um “coach”, um líder que te olhe como único, entenda suas potencialidades e limites, invista em você e garanta oportunidades para o seu desenvolvimento faz TODA A DIFERENÇA.

Para finalizar, deixo aqui uma reflexão sobre o que vi nas eliminatórias:

Se você é líder, por mais que seja extremamente difícil adquirir habilidades para desenvolver tudo o que foi dito acima, acredite, vale a pena. A felicidade dos coachs, dos técnicos a cada vitória, a cada etapa e a realização só em conseguirem uma classificatória compensa, sem dúvida, todo o esforço que você terá que fazer para ser o melhor líder que sua equipe merece ter.

Se você é colaborador e não pode contar com um líder que faça ou proporcione o que foi dito acima, lembre-se, nem todos os atletas foram descobertos em berço de ouro, aliás, muito poucos. Seja você o seu líder, invista, acredite, dedique-se a extrair o que há de melhor em você. Sim, há muuuuita coisa boa aí que vale mais do que a pena investir. Então, invista, sue, sofra, vá ao seu limite, descubra-o e ultrapasse-o. Ao mostrar seu potencial, os melhores líderes irão disputá-lo, pode ter certeza.

E outra coisa importante, alguns atletas preferem medalhas, surtam com prata e só admitem ouro. Outros, se realizam em chegar, em finalizar, em ultrapassar a linha, mesmo que nas últimas colocações, pois estar lá e fazer parte já é a vitória em si.

Não importa em qual modalidade ou posição você esteja, ter a CLAREZA daquilo que nasceu para fazer e onde quer estar te garante a REALIZAÇÃO do que há de melhor em você.

E que os jogos comecem!

ESCRITO POR

Alessandra Ramos

É Analista Sênior do Grupo Bridge, onde desenvolve conteúdos e ações educativas que buscam despertar o ilimitado potencial das pessoas. Se não está aprontando por aqui, certamente está cuidando da família ou bagunçando com as crianças.

Artigos Recentes

Liderança e Autodesenvolvimento

Nossos Vieses – Parte 02

Blog do Grupo Bridge Desenvolvimento humano, transformação cultural e inovação.Compartilhe este artigo: Share on facebook Share on twitter Share on

Leia mais »
Liderança e Autodesenvolvimento

Nossos Vieses – Parte 01

Blog do Grupo Bridge Desenvolvimento humano, transformação cultural e inovação.Compartilhe este artigo: Share on facebook Share on twitter Share on

Leia mais »
Grupo Bridge 2021 © Todos os Direitos Reservados – GB Design Team
small_c_popup.png

Receba nossas notícias

Bridge News