O inevitável movimento de transformação

Celso Braga

6 de outubro de 2020

Blog do Grupo Bridge

Desenvolvimento humano, transformação cultural e inovação.
Compartilhe este artigo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Quem me conhece sabe que eu estou sempre atrás de entender tendências, de observar pequenos sinais das transformações que se insinuam timidamente, mas que, cedo ou tarde, nos defrontaremos com elas de maneira inevitável.

Há aproximadamente três ou quatro anos comecei a estudar movimentos colaborativos como resposta às demandas da sociedade, como modo de agir dentro de um mundo mais incerto e ambíguo que já estávamos vivendo. E o que antes era uma tendência se tornou um choque inevitável com o tempo presente.

A competição que servia como argumento e motor para o desenvolvimento está cedendo fortemente seu espaço para os movimentos colaborativos. Por exemplo: dentro das empresas, as áreas que competiam agora têm de colaborar em “Squads” – Grupos multifuncionais sem hierarquia que colaboram para resolver desafios de forma ágil.

Uma outra forma menos óbvia e cada vez mais presente de colaboração, pode ser expressa nessa conversa que tive alguns dias atrás com um de nossos clientes … Ele me perguntou como fazer já que se igualaram a concorrência e, na hora da decisão, o cliente podia optar por qualquer um. Falamos sobre como ele estava atuando para ajudá-lo além da transação com o produto em si, e que este modo de agir o tornava mais colaborativo com seu cliente que então podia optar por fazer negócios com ele mais facilmente.

Se um líder hoje não souber construir times colaborativos, ou inspirar seus times para que atuem desta forma, não conseguirá estar a frente dos movimentos de transformação na empresa, organização ou instituição a qual pertença. Esta habilidade é necessária e inevitável para o novo papel da liderança!

O inevitável movimento de transformação da liderança é o tema que desejo abordar aqui neste ensaio de ideias.

Desde os tempos em que a ciência se tornou a “palavra de ordem”, uma série de tratados apresentaram a competição como elemento inerente à natureza humana, pois basearam-se na suposição de que o homem é um animal e os animais competem por recursos e também por poder. Por outro lado, já podemos comprovar, também por elementos da ciência, que a capacidade de colaborar é da mesma forma algo que nos delimita como seres humanos, já que não existiríamos ou sequer evoluiríamos sem esta forma de associação. As famílias são a fonte das nossas primeiras experiências colaborativas, assim como as associações nas tribos, comunidades e grupos aos quais precisamos pertencer para existir.

As lideranças – sejam os pais, os representantes da comunidade ou as lideranças corporativas – são modelos que garantem a forma como seus respectivos grupos vão incorporar as premissas culturais nas quais estão inseridos. Assim, se o líder entende que a competição é o elemento chave para seu estilo de gestão ou mesmo um comportamento a ser valorizado, vai imprimir esta marca no ambiente.

Em um dos diversos diálogos que tive com meus clientes ao longo destes dias, me fizeram a seguinte pergunta: “o Jack Welch falava que era para ter uma lista e demitir os piores do ranking ano a ano, o que você acha?”. Em um modelo competitivo, com premissas competitivas, ele estava certo! Mas será que hoje não deveríamos adotar outro modo de pensar?

Resolver um desafio colaborando produtivamente significa:
“ter pessoas que trabalham juntas por um propósito comum, que utilizam o máximo de suas potencialidades, em um fluxo contínuo de aprendizado, mantendo um envolvimento emocional durante o processo.” Será que para o momento de tantas incertezas que estamos vivendo, de respostas que não estão prontas, para desafios que muitas vezes desconhecemos as reais dimensões, o aspecto mais colaborativo não é uma escolha mais acertada no modo de seguir em frente?

Me parece inevitável!

Mas, os limites são dados pelos líderes, pautados naquilo que pensam sobre si mesmos, sobre o que é certo e errado em relação aos seus valores, e se estão ou não dispostos a mudar adotando outras formas de agir e de repensar os seus valores. Assim, um líder é menos colaborativo quando:
– Vê as entregas como “suas” e não como sendo do time;
– Tem recursos e os guarda para si como vantagem competitiva, mesmo sabendo que outros precisam dos mesmos;
– Julga que os outros são menos capazes que ele, não tendo paciência para o outro;
– Outras pessoas têm que utilizar as suas soluções, pois não puderam opinar ou compreender como se chegou até elas;
– É apegado a sua cadeira, sua mesa, sua sala, seus colaboradores, sua área, pois abrir mão de tudo significaria perder o poder que batalhou para conquistar.

Em algum momento de nossas vidas, todos nós já assumimos algumas das premissas citadas, fomos de alguma forma moldados, seja em casa, na escola ou na sociedade. Superar essas crenças enraizadas em nós ao longo da vida é o grande desafio para conseguirmos definitivamente realizar a inevitável mudança na nossa forma de liderar. Mas há esperança.

Estamos cada vez mais cientes de que precisamos mudar, somos chamados à atenção para cada vez que adotamos um espírito mais competitivo e apegado. Nas empresas, qualquer pesquisa de clima é capaz de mostrar se a liderança está ouvindo as pessoas, se os está envolvendo em soluções, desenvolvendo suas capacidades e gerando condições para seu pleno desenvolvimento, também revela se a empresa é um lugar que as pessoas se sentem conectadas emocionalmente.

Nas escolas, nossos filhos estão sendo cada vez mais envolvidos em projetos coletivos, em ampliar de alguma forma a visão sobre o mundo.

As redes sociais e a disponibilidade de conhecimento nos mostram constantemente situações nas quais podemos perceber os impactos entre o competitivo e o colaborativo na vida sociedade. É só observar como cresce exponencialmente os casos em que as pessoas se abriram para ajudar outras que muitas vezes sequer conheciam na pandemia, desde um grupo de amigos que se reúnem e colaborativamente fazem 500 refeições para distribuir aos necessitados até outros que se conectam para construir moradias ou viabilizar tratamentos médicos. Há uma infinidade de exemplos colaborativos como esses surgindo no Brasil e no mundo.

Para encerrar, não vejo que deixaremos de ser competitivos, a questão será com o que e não com quem estamos competindo. É possível competir se você adota o conceito de excelência para sua vida, visto que ser excelente significaria estar em um processo de continua evolução para superar a si mesmo. É possível colaborar quando toma consciência do quão necessária é a qualidade da convivência com outras pessoas, pois aprendemos uns com os outros e precisamos das outras pessoas como ponto de referência para conhecermos e desenvolvermos constantemente em nossas vidas. Esta é uma forma de competir consigo mesmo e simultaneamente colaborar enquanto parte do coletivo.

A sua liderança está competindo pela excelência e atuando colaborativamente? Então você está vivendo o inevitável movimento de transformação!

ESCRITO POR

Celso Braga

O Celso é um obstinado sonhador e realizador. Sócio-diretor do Grupo Bridge, é casado com a Adriana, pai do Lucas e do Mateus. Adora olhar pra frente e construir o futuro.

Artigos Recentes

Grupo Bridge 2021 © Todos os Direitos Reservados – GB Design Team
small_c_popup.png

Receba nossas notícias

Bridge News