Tendências para o Futuro: E por falar em Amor…

Bárbara Crespo

11 de fevereiro de 2021

Blog do Grupo Bridge

Desenvolvimento humano, transformação cultural e inovação.
Compartilhe este artigo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Nossos dias têm sido emoldurados por uma atmosfera bem ambígua: de um lado a necessidade de garantir que nossos trabalhos sejam mantidos através de negócios lucrativos e perenes, conquistando a tão almejada ascensão econômica, e, de outro, a necessidade de olhar mais para o lado humano e como ele afeta e é afetado pelos ecossistemas que habita, para que possamos garantir a nossa sobrevivência enquanto espécie, evoluindo com o mundo sem nos destruirmos no processo.

Aí fica uma pergunta: Será que é preciso escolher um lado, perpetuando essa ambiguidade de que para atingir sucesso em um aspecto precisamos abrir mão do outro, ou podemos conectar essas ações?

Todo o cenário de mudanças na sociedade tem se configurado para assumir essa dualidade como sendo, na verdade, algo que deve ser intrinsecamente conjugado.

Muito se fala sobre diversidade e inclusão, sobre cuidar da experiência e ter cuidado com os colaboradores na prática dos valores e direcionadores culturais da organização, de se olhar para todos os stakeholders e não somente para o cliente final. Como se essa urgência, que já deveria ser clara e experimentada em nossas realidades, estivesse presente só agora.

O que me despertou esse pensamento foi uma reflexão recente sobre o Amor >. Você pode perguntar: ”Amor no ambiente de trabalho, em um mundo capitalista, que se preocupa com lucro e mais valia?”

Eu digo sim! O Amor.

A reflexão surgiu ao recordar que domingo próximo, dia 14 de fevereiro, é comemorado o Dia do Amor . Em alguns lugares, também conhecido como Dia de São Valentin (considerado santo após ter sido decapitado por favorecer a união de casais e lutar pelo amor, mas essa história fica como sugestão para sua pesquisa posterior). Não sei se você sabia dessa data, mas percebo que pouco se fala do Amor pensando em comemoração (a não ser do amor romântico entre casais, como o dia dos namorados).

Eu falo do amor entre seres humanos, entre aqueles que se reconhecem como iguais e acolhem as diferenças, divergências e pluralidades com o respeito genuíno. E para falar desse amor, empresto aqui as palavras do neurobiólogo chileno Humberto Maturana, que em uma de suas mais famosas obras, A Biologia do Amor, tece uma bela e lúcida reflexão sobre o impacto do Amor na humanidade:
“O ser humano não vive só. A história da humanidade mostra que o amor está sempre associado à sobrevivência. Sobrevive na cooperação. Se a mãe não acolhe o bebê, ele perece. É o acolhimento que permite a existência.”
“O amor nos dá a possibilidade de compartilhar a vida e o prazer de viver experiências com outras pessoas. Essa dinâmica relacional está na origem da vida humana e determinou o surgimento da linguagem, responsável pelos laços de comunicação e que inclui ações, emoções e sentimentos.”
“O amor, ou, se não quisermos usar uma palavra tão forte, a aceitação do outro junto a nós na convivência, é o fundamento biológico do fenômeno social. Sem amor, sem aceitação do outro junto a nós, não há socialização, e sem esta não há humanidade. Qualquer coisa que destrua ou limite a aceitação do outro, desde a competição até a posse da verdade, passando pela certeza ideológica, destrói ou limita o acontecimento do fenômeno social.”
“Amar é uma atitude em que se aceita o outro de forma incondicional e não se exige ou se espera nada como recompensa. Amar implica ocupar-se do bem-estar do outro e do meio ambiente. Em vez de oferecer instruções do que e como fazer, amar é respeitar o espaço do outro para que ele exista em plenitude.”

Muito à frente de seu tempo, Maturana já falava e alertava sobre a importância de se investir na ampliação de consciência da sociedade para algo essencial: o Amor ao próximo, no sentido de acolher e respeitar as diversidades, e do cuidar e nutrir as relações para garantir a nossa própria sobrevivência. É o ser humano cuidando de si e entre si, cuidando de seu grupo e intergrupos, cuidando de seu ecossistema.

Quando pensamos em sobrevivência do mundo, em toda a amplitude que conseguimos abarcar, com possibilidade de convivência e interação entre as pessoas, pensamos no Amor. Na prática desse sentimento que – de fato – é mais muito mais do que a emoção, é uma habilidade em si.

Talvez você também me diga: ” “É possível olhar isso quando pensamos da sociedade… Mas, dentro de uma empresa fica difícil pensar em Amor!”” E, muito provavelmente, você me pergunte: ””Como seria possível desenvolver essa habilidade do Amor dentro de um ambiente totalmente corporativo?”

Eu posso tentar te responder pensando junto contigo, porque isso é Amar, sem ter certezas que nos limitam ou condicionam, mas sim, coconstruindo os caminhos através da troca genuína de olhares diversos:

Pode ser quando um(a) colaborador(a) olha para um(a) colega de trabalho, que pode ser um(a) par ou alguém de outra área, e tenta fazer o exercício real de empatia, imaginando como deve estar sendo lidar com alguma situação difícil de sua vida ou desafio de sua área. E, talvez, vá realmente além, tirando um instante para escutar empaticamente esse(a) colega. Ao menos para acolher, ainda que ele ou ela não saiba o que ou como fazer para contribuir de alguma forma.

Pode ser também quando a liderança entende que as pessoas são diversas, e têm necessidades e ritmos diferentes, para conseguir desenvolver suas habilidades na busca por um melhor desempenho de seus papéis. E que, por tal motivo, essa mesma liderança precisará se envolver genuinamente em um processo para conhecer as pessoas de seu time, acompanhando-as e orientando-as conforme seus diferentes potenciais e vulnerabilidades.

E falando em vulnerabilidade, pode ser também no exercício do contrapapel, onde o(a) liderado(a) também atua empaticamente, reconhecendo que seus líderes também vivenciam o mesmo momento de complexidade e são exigidos igualmente, ou ainda mais, por terem que trazer o norte para seus times, influenciando e se conectando com a cadeia. E, portanto, por muitas vezes, terão dificuldades na atuação e até mesmo na relação.

Pode ser também através do RH, quando ele entende que tem o papel de “guardião” sobre o como os valores estão sendo praticados no dia a dia. Acolhendo e dando suporte ao desenvolvimento das pessoas, reconhecendo suas múltiplas necessidades. E, esse mesmo RH, deve realizar um processo de autoacolhimento, para que entenda que também tem vulnerabilidades e que nem sempre terá todas as respostas, mas pode buscá-las, coconstruindo com os demais protagonistas dessa história soluções mais inclusivas e saudáveis para todos.

Todos esses exemplos, e muitos outros que estão sendo paulatinamente implantados por algumas empresas – inclusive nossos clientes – com excelentes resultados, são possíveis e certamente farão diferença em nossas vidas, impactando todo o ambiente e, consequentemente, o negócio da organização.

Poderia falar de outros exemplos além desses, mas certamente prefiro fazer isso através de um papo que possa favorecer um momento de diálogo, aprendizados e Amor!

Vem comigo?

ESCRITO POR

Bárbara Crespo

Psicóloga e Consultora especializada em desenvolvimento de líderes e times. Ama uma mesa farta para compartilhar com a família e os amigos, é apaixonada por música e filmes, tem o mar como um refúgio e procura se desenvolver de forma holística enquanto ser integral.

Artigos Recentes

Grupo Bridge 2021 © Todos os Direitos Reservados – GB Design Team
small_c_popup.png

Receba nossas notícias

Bridge News