Líder: Seu mindset está a seu favor?

Bárbara Viana

30 de abril de 2020

Blog do Grupo Bridge

Desenvolvimento humano, transformação cultural e inovação.
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Nós não temos escolha de não viver esse período de pandemia, o que temos escolha é sobre como vamos viver toda essa situação.

Assim como eu, uma parte dos trabalhadores puderam adotar a opção de home office de forma temporária, alguns sentiram-se forçados, outros aliviados com a decisão. De repente, a casa deixou de ser apenas nosso lar, o espaço de convívio com a família, mas virou também nosso ambiente de trabalho. E essa situação gera uma certa confusão nos papéis que desempenhamos na vida, pois tudo agora acontece de forma simultânea no mesmo ambiente.

Algumas empresas que já apresentavam estrutura para o trabalho de casa – como notes com acesso aos sistemas, investimento em segurança de dados, líderes treinados para lidar com essa modalidade – fizeram essa transição mais facilmente. Outras sofreram mais e mesmo agindo rapidamente para essa mudança acontecer, a primeira semana foi caótica, na segunda começaram a se organizar melhor e daí em diante foi possível começar a replanejar as ações, redefinir os projetos que estavam sendo executados, ou seja, revisar e recomeçar a execução através de uma estratégia totalmente nova.

Para toda essa situação você tem diferentes formas de olhar, pode enxergar as dificuldades, o peso, a sobrecarga, a dor de uma situação ou descobrir como enfrentar esse desafio, aprender e se fortalecer com esse cenário. 

Detalhe: a forma como você vem “encarando” toda essa situação fará toda a diferença nos resultados que você obterá lá na frente!

Segundo Carol Dweck, autora do livro “MINDSET: A nova Psicologia do Sucesso”, este termo nada mais é do que a atitude mental com a qual encaramos a vida. Vamos conhecer algumas características de cada um dos dois tipos de mindset que ela apresenta:

  1. Mindset Fixo: Acredita que a inteligência é estática, possui tendência a evitar desafios, a ficar na defensiva ou desistir facilmente diante de obstáculos. Enxerga o esforço como algo infrutífero, ignora feedback negativo, tem dificuldade de lidar com críticas e pode sentir-se ameaçado com o sucesso dos outros.
  2. Mindset de Crescimento: Acredita que a inteligência pode ser desenvolvida, possui tendência a abraçar os desafios e persistir diante dos obstáculos. Vê o esforço como o caminho para a excelência, aprende com as críticas e encontra lições e inspiração no sucesso dos outros.

Adaptação do Gráfico de Nigel Holmes, página 274, do livro Mindset.

Essas diferenças no modo como percebemos e enfrentamos as dificuldades é o que nos permite, em situações idênticas, observar as pessoas agirem de forma completamente diferente. Elas reagem de acordo com qual Mindset estiver operando no momento. Sim, pois somos uma mistura de ambos os tipos, o que significa que em determinadas situações funcionamos com o mindset fixo e em outras com o de crescimento. O importante é perceber nas diferentes ocasiões que vivemos em nossas vidas, em qual sintonia estamos operando: na de “julgamento” ou de “desenvolvimento”?

Quando aprendemos a identificar esse funcionamento temos a escolha consciente de poder operar pelo caminho que mais nos aproxima dos nossos objetivos, ou que agrega mais valor para nossa vida. Assim, podemos fortalecer o mindset de crescimento, e, quanto mais o fortalecermos mais permitimos que o nosso potencial seja explorado.

Neste exato momento, com todas as mudanças acontecendo na forma de trabalho das pessoas, no funcionamento dos processos e na produção dos bens e serviços, é óbvio supor que tudo isso está gerando grande impacto na cultura das Organizações. E o principal influenciador de todo esse cenário é o Líder.

Decisões muito difíceis estão sendo tomadas, alguns líderes precisam demitir pessoas, reduzir salários, custos e a forma como será conduzido e comunicado, o respeito e a responsabilidade com as pessoas é o que fará toda a diferença. O RH que normalmente é o guardião da cultura, pode apoiar os líderes nessas decisões e garantir o alinhamento com a cultura que a empresa emprega.

Outra variável nesse cenário complexo é que o Mindset dos Líderes inseridos na organização, também gera impactos, principalmente aos liderados, abaixo veremos alguns exemplos de mindset fixo e de crescimento dos líderes:

Líderes com Mindset Fixo: Acham que não precisam de grandes equipes apenas de subordinados para executarem tarefas, sentem-se superiores ou mais inteligentes que os demais. Culpam os outros, encontram justificativas e afastam críticos, são menos propensos a aceitar feedbacks, tornando os debates improdutivos. Buscam liderados que julgam competentes e com talentos já desenvolvidos, por isso proporcionam poucos treinamentos. Dificultam o desenvolvimento e a mudança.

Líderes com Mindset de Crescimento: Acreditam que a capacidade gerencial se desenvolve com a prática, por isso alteram suas estratégias quando necessário. Possuem humildade para ouvir novas ideias, acolher as mudanças e disposição para crescer. Sabem receber e dar feedbacks honestos, e possuem comunicação aberta para isso. Se preparam para o futuro, buscam experiências de aprendizado e aperfeiçoamento, perseveraram nos desafios e enfrentam seus próprios erros.

Assim, faz parte do seu papel como líder perceber que, quando as coisas vão mal, os liderados podem se sentir impotentes e incapazes. Nestes momentos é preciso ter a capacidade de compreender essa realidade, acolher as pessoas e estar preparado para lidar tanto com sua própria vulnerabilidade quanto com a do seu time. Entender que é o momento certo para estreitar as relações de confiança, sendo transparente e assumindo que não possui todas as respostas, mas que – usando a inteligência do time – poderão aprender e, através do apoio mútuo, construir juntos novas respostas para esses novos desafios.

O alinhamento de expectativas, de ambos os lados, também é fundamental, pois expectativas distorcidas abrem espaço para a frustração. Saber dosar a autonomia do time na delegação de tarefas, considerando as competências de cada um, gerar comprometimento e engajamento – e não mais ansiedade – é fundamental para garantir um ambiente seguro e favorável à produtividade. E isto só é criado quando você é capaz de gerar segurança psicológica aos seus liderados.

No final das contas, cabe a cada um de nós usufruir da nossa visão sistêmica para conseguir olhar para dentro de nós mesmos, para nossos colaboradores, para o negócio, e para o mundo, e buscarmos as estratégias pertinentes para orquestrar esse desafio tão complexo, mas que nos fará muito melhor no final, não só como profissionais, mas principalmente como seres humanos!

ESCRITO POR

Bárbara Viana

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